Do Bp.Dr. Alexandre R. Metello

 

“A GENTILEZA GERA GENTILEZA”

Introdução:

Eu era criança e ia com os meus irmãos para o centro da cidade do Rio de janeiro, obviamente conduzidos e levados por nossos pais, fazia parte de um passeio agradável da família. Muito me intrigava e me chamava a atenção o que um suposto profeta das ruas, reiteradamente, pintava embaixo dos viadutos, além de versículos bíblicos, ele pintava a frase: “Gentileza gera gentileza”. É muito interessante saber que hoje existe, pasme, tese de Doutorado que examinou o que escreveu o profeta gentileza. Aqui, obviamente, eu não vou escrever nem defender uma tese de Doutorado sobre o trabalho do “Gentileza”, mas quero pensar sobre a importância da palavra que lhe intrigava, que mexia com ele, e que sempre me trouxe espécie e reflexão. Marisa Monte fez música sobre o Gentileza. Em verdade o nome dele é José Datrino, nascido em Cafelândia, em 11 de abril de 1917, faleceu em 29 de maio de 1996, foi chamado de o profeta do Gasômetro, ele andava com túnica branca e barba comprida. Ele apareceu no Fantástico. Eu, particularmente ficava pensando, por que esse indivíduo escrevia tantas vezes a palavra gentileza? Seria para não esquecer de ser gentil? E ele, era gentil? Queria com isso, gerar mais gentileza no Rio de janeiro? Ou gerar gentileza no mundo? Seria uma forma de comunicar o seu amor pela humanidade?

O fato é que pululavam muitas questões na minha cabeça! Até hoje não entendi o porquê, mas, vou me ater apenas na importância que essa palavra tem na nossa fé cristã, e como ela pode fazer toda a diferença. Primeiro, devo dizer que ela se insere no contexto de uma inteligência social, de convívio, de inteligência interpessoal, pois, se quero receber gentileza, eu preciso ser gentil. Mas, afinal de contas o que é gentileza?

 Olha que interessante! A palavra gentileza surgiu exatamente no século XIV, da palavra latina gentilis, oriunda da palavra “gentis”, ou gente, pessoa humana, que presta a devida importância para a pessoa. Então, gentileza é dar ao outro, o lugar de gente e não de coisa. Gentileza é humanidade.  

 Isso tem muito a ver com o que o apóstolo Paulo ensinou no texto posto em linhas seguintes. Aqui começa a nossa reflexão bíblica sobre os três grandes conselhos sobre o dever, diga-se de passo, calcado na ortopraxia, de ser gentil:

“Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração”. (Colossenses 3:13-16). Então, a gentileza começa, para o apóstolo Paulo na capacidade de suportar, vejamos:

  1. “Suportai-vos uns aos outros”

Infelizmente, atualmente, os pastores e bispos, estão tendo que perder muito tempo, que deveria ser dedicado em ganhar almas, para educar os crentes, ensinar-lhes o que é ser educado, o que é e como deve ser deferido o amor ao outro. A gentileza abarca o respeito pelo próximo, a envergadura da gentileza se volta para um zelo de não entristecimento do outro. O que mais me causava estranheza no passado, na igreja onde congreguei era o desamor de alguns. Por exemplo, uma senhorinha que tocava piano, ela amava que nós adolescentes e jovens participássemos do culto em que ela tocava o piano, mas quando íamos tocar a bateria, guitarra, baixo, violão, teclado, ela saía meneando a cabeça com censura. Essa postura dela lançou grandes amigos meus no mundo. Aprendi o quanto é ridículo o egoísmo humano de querer apoio, mas não fazer um mínimo esforço para apoiar o trabalho de outrem. O que vi, diversas vezes acontecer também no passado, era o fato de um líder de uma organização pedir apoio aos seus trabalhos, ser apoiado, mas, na hora de apoiar os outros, ele desaparecia.

O que se percebe muitas vezes é um falso cristianismo, pois, por trás da ausência de alguns se esconde a intolerância ao outro, ou seja, a incapacidade de suportar o seu irmão em Cristo. O verbo suportar no grego vem de “anécomai”, que traz a ideia da inteligência emocional. A verdade é que muitas pessoas não se enxergam, pois, não suportam o outro, quando, na verdade, também são sofríveis para se conviver. Interessante é que o verbo suportar vem acompanhado do vocábulo “allélon”, uma expressão idiomática da reciprocidade. Bem assim, o que quero receber, devo dar. É bem simples equacionar, em palavras outras, se eu quero ser apoiado, devo apoiar, se eu quero ser ouvido devo ouvir, se eu não quero que saiam quando eu prego, devo permanecer também quando o irmão está com a palavra e gagueja, ou tem péssima dicção, ou fala tudo errado, ou quando quem canta desafina horrores. Todavia, infelizmente, o problema é de foro íntimo, a pessoa alimenta dentro de si preferências que por outro lado se revestem de intolerância e desamor.

  1. “Perdoai-vos uns aos outros”

No passado, muito distante, eu aprendi como dói ser preterido. Tínhamos um amigo, cujo apelido era “beição”. Ele, o “beição” ganhou esse apelido porque contava muitas mentiras, ele tinha o mal hábito da mentira. Daí, uma vez, fomos comer uma pizza, combinamos entre nós, e firmamos um pacto de deixar o beição de fora, estávamos todos cansados do jeito mentiroso do beição. Só que ele acabou descobrindo que estávamos comendo pizza no restaurante, assim, ele chegou na porta do restaurante com os olhos marejados, acenando com os dedos, fazendo o sinal de ok, demonstrando que sabia que tínhamos deixado ele de fora. Aquilo me doeu, vi a dor dele, tínhamos feito um amigo chorar! Pedi perdão a Deus, e decidi que a partir daquele fato, nunca mais deixaria um irmão fora, minimamente, do meu evento. É certo que naquela ocasião, o evento não era meu, mas do grupo, contudo, passei a dizer, vamos chamar o beição, não é justo deixá-lo de fora, se for para fazer sem o beição é melhor não fazer.

    1. – Para Deus não há acepção de pessoas

Na epístola de Paulo aos romanos no capítulo 2º, verso 11, o tema é sobre salvação, e Paulo está usando termos pesados para exortar a igreja, e para dizer que aquele que rejeita, julga o seu irmão, não tem escape, Deus não faz diferença entre uma e outra pessoa, leia-se:

“Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem. E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção. Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade. Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego. Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego. Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.” (Romanos 2:1-11).

Propositalmente, sublinhei e negritei duas partes. A primeira quando diz: “És inescusável” quando julgas. Quer dizer, não tem desculpa para quem julga ou despreza o outro. E, a expressão: “Deus não faz acepção de pessoas”. Pensar que Deus vai aliviar porque o fulaninho canta bonitinho, ou porque beltraninho tem dinheiro, ou porque alguém é muito importante para igreja em virtude de sua influência política, isso é bobagem, Deus não tem etnocentrismo, racismo, “pelismo” (amor a pele branca, ou preta), religiosismo etc. Quando ele pegar essa turma da maldade! É melhor não estar perto!

  1. Revesti-vos de amor que é o vínculo da perfeição

Essa dicção paulina mexe deveras comigo, porque ele está a dizer que o amor é capaz de nos conduzir a perfeição. Já disse, em outro texto, que a palavra perfeito vem de “per” (ao redor de, ou circularidade) e “factum” (fato, acontecimento). Então, a perfeição consiste em, filosoficamente, “fechar o círculo”. Alcançar a completude. Paulo diz que o crente sem amor é inaproveitável (I Co13).

Conclusão:

Em últimas pinceladas, pense comigo, o que adianta dar pulos altos no culto, falar em línguas, rodopiar, fazer caretas, gritar, bater palmas, e aprontar todas? Agir com malícias?! Ou com vingança velada.

Aprende-se quando lemos os textos dos profetas veterotestamentários que Deus pode ouvir o choro da alma de alguém, e, a malícia da alma dos perversos que em seus íntimos tramam o sofrimento do outro. O que se faz em segredo e em oculto, DEUS manifestará no grande e terrível dia, andemos com temor e tremor diante do Deus Eterno.

 

 

 

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